Por Heraldo Palmeira
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23 de abril de 2026

A Semana 139

Tyli Jura/Pixabay

A Semana 139

Resumo de Mercado [23 a 27 de março]

Ibovespa: +3,00% | 181.556 pontos

O Ibovespa encerrou a semana em alta de 3,0% em reais e 4,1% em dólares, aos 181.556 pontos, superando significativamente os mercados globais.

Resumo A semana foi marcada por notícias rápidas e voláteis envolvendo o conflito entre EUA e Irã. Após inicialmente ameaçar ataques à infraestrutura energética iraniana, o presidente Trump anunciou, na segunda-feira, uma pausa de 5 dias, citando o início de negociações com o Teerã, o que gerou um forte alívio nos ativos globais, com o Brent chegando a cair abaixo de US$100/barril.

Porém, o Irã negou a existência dessas negociações, e as atividades militares continuaram na região. Ao longo da semana, os EUA avançaram em esforços por um cessar-fogo, incluindo relatos de uma proposta com múltiplos pontos, enviada ao governo iraniano. O sentimento voltou a se deteriorar, porém, após a proposta inicial ser rejeitada, reacendendo preocupações com um conflito prolongado, apesar de notícias recentes sugerindo possíveis negociações iminentes entre os dois países. Como resultado, os ativos globais tiveram mais uma semana negativa: as ações americanas registraram a quinta queda semanal consecutiva (a pior sequência desde 2022) e os preços do petróleo permaneceram elevados (Brent em US$112). O dólar se fortaleceu (DXY +0,5%) e o VIX subiu de 142 para 163.

Nesse contexto, as ações brasileiras apresentaram forte alta até quarta-feira, acumulando ganho de 5,2%, sustentado por expectativas de resolução do conflito no Irã, ao mesmo tempo em que o setor de óleo e gás continuou dando suporte ao índice. Essa combinação levou a um desempenho muito superior ao dos mercados globais, fazendo com que o Ibovespa fosse o único grande índice global a encerrar a semana em território claramente positivo.

O Brasil também seguiu se beneficiando de fluxos estrangeiros, com entradas líquidas de R$ 2,7 bilhões até quarta-feira. No entanto, o índice devolveu parte desses ganhos ao longo do restante da semana, com queda de 2,1%, pressionado principalmente por papéis cíclicos domésticos. O real também permaneceu relativamente resiliente, apoiado pela forte exposição do Brasil ao petróleo em sua pauta de exportações. Ao mesmo tempo, o IPCA-15 acima das expectativas reforçou a perspectiva de inflação mais elevada à frente, e nosso time macro revisou a projeção de inflação para 2026 para 4,5% (de 3,8%). Em resposta ao impacto dos preços mais altos do petróleo sobre os consumidores, o governo federal propôs um novo subsídio para importadores de diesel, de R$1,20/litro. Do lado micro, a temporada de resultados do 4T25 está próxima do fim: 125 empresas dentro do nosso universo de cobertura da XP já divulgaram resultados, com apenas 37% superando as estimativas de receita, 27% de EBITDA e 40% de lucro líquido.

Ações O principal destaque positivo da semana foi MBRF (MBRF3, +32,9%), em meio ao aumento das expectativas de uma possível desescalada do conflito no Oriente Médio. Na ponta negativa, Braskem (BRKM5, -9,2%) recuou após a divulgação dos resultados do 4T25.

Dólar O Dólar fechou a semana em queda de 1,6%, aos R$ 5,24/US$.

Juros A curva de juros abriu. O DI jan/36 abriu 13 bps, aos 14,19%.

Perspectivas para a semana em curso

Cenário internacional Destaque para os indicadores de emprego nos Estados Unidos, em especial o Nonfarm Payroll de fevereiro. Na Zona do Euro, será publicada a leitura preliminar do índice de inflação ao consumidor de março, para o qual o mercado espera forte aceleração, devido aos impactos da guerra sobre preços de energia. Além disso, serão divulgados PMIs das principais economias – PMIs são sondagens com empresas que buscam medir o pulso da atividade econômica.

Cenário nacional O Banco Central divulga as estatísticas fiscais e creditícias de fevereiro. Do lado da atividade econômica, destaque para o Caged, que traz a geração líquida de empregos formais, e a produção industrial (ambos referentes a fevereiro).

Fonte Valore-Elbrus (vinculada à XP Investimentos) | 30.03.26

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