Por Heraldo Palmeira
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29 de setembro de 2026

A Semana 142

TheDigitalArtist/Pixabay

A Semana 142

Resumo de Mercado [21 a 25 de setembro]

Ibovespa: -1,0% | 182.477 pontos

O Ibovespa encerrou a semana em queda de 1,0% em reais e de 1,9% em dólares, por conta da depreciação de 0,8% do real, aos 182.477 pontos.

Resumo As bolsas globais encerraram a semana com performance positiva (S&P 500: +1,3%; Nasdaq: +3,3%; Dow Jones: +0,3%), em um movimento marcado pela disparada dos juros longos americanos e pela força das ações de tecnologia. Apesar de PMIs no maior nível desde 2021 e de falas duras de dirigentes do Fed terem levado a Treasury de 10 anos a 5,22%, máxima desde 2007, e a probabilidade de alta em outubro a cerca de 71%, os mercados foram sustentados pelo rali de inteligência artificial, que levou o Nasdaq a recordes no início da semana. No cenário geopolítico, a perspectiva de um acordo faseado entre EUA e Irã para reabrir Ormuz derrubou o Brent por cinco sessões, antes de uma recuperação na segunda metade da semana, encerrando com queda de -5,9%. No micro, a Meta disparou 11,3% na segunda-feira com o sucesso do agente Muse, a caminho do melhor mês desde 2013, enquanto a AMD avançou cerca de 10% no mesmo dia e superou US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez. Na contramão, a Oracle recuou 3,5% após acionar cláusula de força maior em um projeto de data center no Novo México.

Enquanto isso, as ações brasileiras encerraram a semana em queda, em contraste com os ganhos do S&P 500 e do Nasdaq. A curva de juros doméstica apresentou comportamento misto, com a ponta curta (jan/27) praticamente estável e fechamento de cerca de 19 bps no vértice mais longo (jan/36). Na sexta-feira, o IPCA-15 de setembro acelerou para 0,70%, acima da mediana de 0,52% esperada pelo mercado, levando o acumulado em 12 meses a 4,47%. A surpresa altista concentrou-se na energia elétrica residencial, que avançou 7,42% e respondeu por 0,29 ponto percentual do índice, enquanto as passagens aéreas também pressionaram. A leitura acima do consenso manteve a atenção sobre a dinâmica inflacionária, mesmo com o fechamento semanal da ponta longa.

Ao longo da semana, o Relatório de Política Monetária do Banco Central também reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2026, enquanto a confiança do consumidor recuou ao menor nível desde novembro de 2022. Além disso, novas divulgações de pesquisas eleitorais provocaram reprecificação e elevaram a volatilidade dos ativos locais. Por fim, o fluxo de capital estrangeiro mostrou saída líquida de R$ 263 milhões ao longo da semana (dados até quarta-feira), mas ainda apresenta entrada líquida acumulada de R$ 9,0 bilhões em setembro.

Ações Azzas 2154 (AZZA3, +14,1%) foi o destaque positivo da semana, impulsionada por forte alta em meio às expectativas sobre o processo de avaliação de alternativas estratégicas para a Farm Rio. Por outro lado, RD Saúde (RADL3, -10,6%) foi o destaque negativo, após o Mercado Livre anunciar a entrada na venda de medicamentos com retenção de receita.

Dólar O Dólar fechou a semana com alta de 0,8%, aos R$ 5,18/US$.

Juros O DI jan/36 fechou 19 bps, aos 13,95%, enquanto o DI jan/27 permaneceu praticamente estável, aos 13,55%.

Perspectivas para a semana em curso

Cenário internacional O principal destaque será o relatório de emprego dos Estados Unidos (Payroll) referente a setembro. O mercado espera nova desaceleração na criação de vagas. A agenda também inclui o PCE de agosto, principal medida de inflação acompanhada pelo Federal Reserve (Fed), que ganha relevância em um contexto no qual as decisões de política monetária estão cada vez mais condicionadas à evolução dos dados. Na Zona do Euro, as atenções estarão voltadas à prévia da inflação ao consumidor de setembro, que deve permanecer acima da meta.

Cenário nacional A agenda contará com uma extensa bateria de indicadores econômicos referentes a agosto. No âmbito da atividade econômica, serão conhecidos os dados de produção industrial, mercado de trabalho — Caged e PNAD Contínua — e crédito. As estatísticas devem continuar sinalizando uma desaceleração gradual do mercado de trabalho, enquanto a produção industrial deve voltar a recuar na margem. No mercado de crédito, as atenções devem permanecer sobre a deterioração da inadimplência. Na esfera fiscal, os resultados primários do Setor Público Consolidado e do Governo Central deverão registrar novos déficits. Por fim, o Banco Central apresentará os dados do Balanço de Pagamentos. A agenda inclui ainda o IGP-M de setembro, para o qual projetamos retorno ao terreno positivo.

Fonte Valore-Elbrus (vinculada à XP Investimentos) | 28.09.26

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