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É Verão
- Heraldo Palmeira
“É como um sol de verão queimando no peito / Nasce um novo desejo em meu coração” (Luiz Guedes-Thomas Roth)
O Verão chega depois da primavera e antes do outono no hemisfério sul. A estação oferece temperaturas elevadas, com aumento das chuvas. Seus dias mais longos oferecem um ambiente propício para férias e lazer, onde as pessoas aproveitam o calor para passeios, viagens e convivência. É um tempo dedicado a festejar o Sol e que atrai multidões aos litorais.
A estação é a mais aguardada do ano e, quando se aproxima, muita gente lota academias e consultórios médicos para cumprir ritos da religião da vaidade. Apesar da frustração da maioria – é impossível resolver problemas crônicos com ações sazonais –, todos querem estar nos trinques apresentando curvas e músculos para impressionar na vitrine da azaração. Afinal, a canção popular já garantiu que “não existe pecado do lado de baixo do equador”.
Não são poucas as teorias a respeito dos benefícios da exposição ao Sol para a saúde, inclusive o estímulo para a produção de dopamina, melatonina e serotonina, além de absorção da vitamina D.
No outro lado da moeda, estão inúmeros alertas dos perigos da superexposição, onde a pele corre riscos de envelhecimento precoce, manchas e câncer. Por isso, é indispensável se informar a respeito dos efeitos dos raios UV e sempre se prevenir usando cremes com fator de proteção, roupas adequadas – inclusive com fator de proteção –, chapéus, bonés, viseiras, óculos – inclusive com fator de proteção nas lentes… Na medida do possível, procurar locais onde haja sombra para se abrigar nos momentos de pico de radiação UVB (10h às 15h), que está diretamente relacionada ao câncer de pele.
Hoje, muitas pessoas se habituaram a dividir o período anual de férias em partes, de forma a aproveitar os verões dos hemisférios norte e sul, que ocorrem com diferença de seis meses entre si.
Durante a estação são comuns as mudanças repentinas do tempo, com incidência de chuvas rápidas e intensas, as chamadas tempestades de verão, que ocorrem majoritariamente nos fins de tarde porque, nessa parte do dia, a evaporação das águas de lagos, mares e rios é maior.
O verão tem suas curiosidades. A Torre Eiffel, um dos ícones do turismo internacional, chega a “crescer” 15 cm além da sua altura original em decorrência da dilatação provocada pelo calor intenso que domina Paris durante a estação.
No Brasil, o Rio de Janeiro é a cara do verão e o saudoso jornalista Paulo Francis, carioca da gema e conhecido pelas tiradas de humor ferino, dizia que a Cidade Maravilhosa só tinha duas estações: verão e inferno. Já na Região Nordeste, a estação ficou associada à estiagem e seca na lógica da atividade agrícola que dominou a economia local por longo período.
Origem Na crença popular o verão teria nascido da primavera, da mesma forma que Eva da costela de Adão. A palavra “verão” vem do latim vulgar veranum tempus (tempo primaveril), relacionado com o tempo de frutificação e diretamente relacionado ao fim da primavera. No latim clássico era anotado como ver (primavera), veris (bom tempo) e aestas (verão), uma espécie de ancestral do português “estio”, sinônimo de “verão” e cuja derivação “estiagem” é compreendida como ausência de chuvas e temporada de baixos índices hídricos.
Em tempos mais antigos, o ano era dividido em cinco estações, desconsiderando a base científica em torno de dois equinócios e dois solstícios, quando o Sol está mais perto e mais distante da linha do equador, respectivamente.
Assim, além de outono e inverno, os seis meses que formavam a metade do ano dominada pelo calor e pelo “bom tempo” ficava dividida em três partes. Primavera [prima ver (o primeiro tempo bom, no latim vulgar)], que compreendia apenas os dois terços iniciais da estação como conhecemos hoje. Verão [verano tempus (tempo primaveril)], denominava o fim da primavera e o primeiro terço do verão atuais. Estio [tempus aestivum (tempo de forte calor)], era a parte final do verão, onde o calor chega ao seu auge.
Período O primeiro dia do verão é chamado de solstício de verão – solstício [Sol +sistere (que não se mexe)] –, registra o dia mais longo do ano e momento em que um dos dois hemisférios tem maior incidência de luz solar que o outro (que, consequentemente, vivencia o solstício de inverno).
Hemisfério norte É a metade setentrional do globo terrestre, onde a estação começa nos dias 21 ou 23 de junho e termina em 21 ou 23 de setembro. Também é conhecido como verão boreal. No período, a incidência solar é perpendicular ao trópico de Câncer.
Hemisfério sul É a metade meridional do globo terrestre, onde a estação começa entre os dias 21 ou 23 de dezembro e termina em 21 ou 23 de março. Também é conhecido como verão austral. No período, a incidência solar é perpendicular ao trópico de Capricórnio.
Horário de verão É um assunto que sempre dividiu opiniões. Hoje, cerca de 80 países mantêm a prática ao menos em parte de seus territórios, a maioria deles localizados entre os trópicos e os polos. A filosofia predominante que motiva a ação de mudar o relógio é a da economia de energia. No Brasil, foi instituído em 1º de outubro de 1931 e suspenso em 25 de abril de 2019.
As quatro estações do ano Outono, inverno, primavera e verão são resultado do movimento de translação da Terra, uma volta completa do planeta em volta do Sol e que dura 365 e seis horas. Essas horas excedentes geram, a cada quatro anos, um dia a mais que é acrescentado ao fim de fevereiro, caracterizando o ano bissexto.
Trecho incidental Não Existe Pecado ao Sul do Equador (Chico Buarque-Ruy Guerra)
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Canção de Verão https://open.spotify.com/track/5Q1ShnQ1g4wXgyM97Etawn?si=1c92323575444c59