
Geralt/Gerd Altmann/Pixabay
Fracassamos?
- Renata Fernandes
Fracassamos na tentativa de sermos originais. Este ano foi igual àquele que passou. Em alguns casos, o que passou foi igual aos que passaram antes
Prometemos, amamos, brigamos, odiamos, julgamos sem ouvir, condenamos precipitadamente, nos arrependemos, nos deliciamos com os amigos, as festas, os filmes, as peças, os shows. Nos aborrecemos com os debates, pensamos que escolhemos o melhor lado, acertamos muitas vezes, erramos tantas outras. Lemos as melhores poesias e os melhores livros, nos surpreendemos com as releituras feitas de um outro tempo. Reclamamos da economia, da política, dos outros que estragam o mundo perfeito. Nos percebemos, na maioria das vezes, como parte da solução, nunca dos problemas.
Morremos de saudades das outras Copas, dos outros Carnavais e, na síndrome de Meia-Noite em Paris, esquecemos de experimentar o quanto de amor, de alegria, de tristeza e de intensidade o tempo presente traz.
Indiferente às nossas crenças, à nossa vontade ou à razão, o tempo cuidou de agir sobre todos. Envelhecemos um pouco mais. Com mais ou com menos sabedoria, caminhamos para um outro ano. Não será tempo de olharmos tudo direito, com mais cuidado?
O desejo para 2025 é que seja um ano exatamente igual a todos os que vivemos até aqui, com a percepção mais aguçada para a generosidade com o que temos de mais genial: a nossa condição humana, sempre precária e contraditória. Felizmente!
Que escolhamos viver no amor, compreendendo que a dor não é só uma rima pobre, mas o outro lado indissociável da mesma moeda. Quem sabe, assim, mesmo a velhice chegando devagarinho e nos levando para o fim, a gente não precise morrer um pouco a cada dia.
RENATA FERNANDES, jornalista e bailarina da vida