Divulgação/Nike
Brasil em campo 2
- Heraldo Palmeira
Brasil 3×0 Haiti veio depois do vexame diante do Marrocos na estreia, quando tivemos sorte de sair de campo sem sofrer uma goleada. Escapamos muito mais pelas limitações do adversário, já que não existimos naquele jogo onde fomos sendo obrigados a torcer muito mais pelo relógio do que por um time.
Neste o segundo jogo da fase de grupos deu o óbvio. Embora tenha feito uma apresentação consistente contra a Escócia na estreia de ambos, o Haiti tem muita saúde, repertório restrito e não se acanha de descambar para a pancadaria para tentar intimidar adversários — Vinícius Jr. sentiu na pele… das canelas logo no início e ficou um bom tempo arredio.
Mesmo diante de um adversário bastante limitado, tivemos uma vitória meio envergonhada que tinha tudo para virar goleada. Diante do que vimos em campo, é legítimo pensar que se mantivermos esse desempenho anêmico não teremos muita chance de seguir adiante na fase de mata-mata.
Vá lá, fizemos cinco gols e dois foram anulados (Raphinha e Endrick) por impedimento, uma regra completamente anacrônica para o futebol dos tempos atuais, praticado por atletas de alto desempenho dentro de um campo cujas medidas foram definidas no século 19 para outra realidade física.
Muitos dos nossos ataques viraram fumaça por impedimento. O completo absurdo dessa regra salta aos olhos na jogada anulada do Raphinha. Assim que o lançamento se desenhou, ele iniciou a corrida de frente e o zagueiro foi de costas, um movimento obviamente mais lento que deixa o atacante à frente. A distância entre os dois era milimétrica e dificilmente mudaria a definição do lance se as posições dos dois fossem inversas. O gol anulado de Endrick também puniu em milímetros a razão do futebol: o gol.
Um jogo que poderia ter terminado 5×0 ficou com um placar menor, diminuindo a alegria da torcida e punindo quem produziu muito mais. Mas que ninguém se anime, ficamos longe, muito longe de qualquer atenuante para nossa escassez de bola. Ainda mais dentro de uma Copa que tem se mostrado bastante competitiva e que começa a registrar muitas goleadas.
É muito provável que passemos à segunda fase, mesmo ficando em 3º lugar no grupo. Dentro do que prevê a tabela, depois da Escócia nosso adversário será Holanda, Japão ou Suécia, e os jogos que esses países têm feito não são animadores. Para nós. Inclusive porque jogam em cima dos laterais adversários e esse setor do nosso time…
Ao fim do jogo, chegamos ao vestiário com a quarta lesão muscular do Raphinha na temporada. Ele vai continuar com o grupo fazendo tratamento intensivo e a expectativa de retorno aponta para duas semanas, coincidindo com a disputa das oitavas de final. De longe, o Barcelona recebeu os exames do seu jogador, acompanha o problema e considera imprudente o processo que a CBF colocou em prática para apressar a recuperação. No fundo, o clube está preocupado com a pré-temporada espanhola e com a possibilidade de herdar um desfalque importante.
Esse é apenas mais um problema acessório do ambiente carregado que a Canarinho enfrenta fora das quatro linhas, onde se misturam as estrepolias do presidente da CBF Samir Xaud oferecendo bocas-livres de luxo a amigos, familiares e moças bonitas em eventos esportivos internacionais — a conta estaria próxima de R$ 1 milhão — e a ópera-bufa de Neymar.
A comissão técnica anunciou que ele será relacionado para o jogo contra a Escócia e a expectativa geral é que entre em campo. Depois de não jogar futebol de verdade desde outubro/2023 e de ficar no estaleiro por mais de 30 dias depois do véu de mentiras do Santos, tudo se torna uma incógnita e tanto, inclusive porque do outro lado estarão sempre adversários que conhecem bem a situação. Se realmente jogar contra os escoceses poderá ter pela frente o jogo tradicionalmente físico dos pais do uísque, algo preocupante para quem está retornando de lesão grave.
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