Por Heraldo Palmeira
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1 de julho de 2026

Matamos o Japão

Reprodução/FIFA

Matamos o Japão

  • Heraldo Palmeira

Brasil 2×1 Japão representou a participação da Canarinho na fase dos dezesseis avos de final, onde cada partida é decisiva e quem perde volta para casa. Carimbamos o passaporte dos japoneses que, mesmo muito respeitosos sempre, haviam afirmado antes do jogo que o Brasil não era mais o mesmo. Claro que estão cobertos de razão, mas não precisavam mexer em assunto interno alheio. Nós mesmos vivemos envergonhados desde o pentacampeonato (2002), tanto pela falta de bola quanto pela carnavalização que a geração Neymar fez com a Amarelinha.

No primeiro mata-mata, nada além do esperado dos japoneses. Um time mediano, veloz com um jogo absolutamente organizado, mas sem qualquer inspiração. Para alguns, os nipônicos até sentiram o peso da Amarelinha diante deles. Mesmo assim, o nervosismo e a lentidão do nosso jogo — apesar dos 64% de posse de bola — quase nos mandam para casa. O que se viu em campo, mais uma vez, foi algo que vem se tornando uma perigosa repetição: o time só joga um tempo e o outro vira apreensão. Foi assim em todos os quatro jogos que disputamos desde a estreia — Marrocos, Haiti, Escócia e Japão.

É certo que jogamos muito melhor contra o Japão, mas permanece a instabilidade emocional diante de momentos difíceis como a abertura do placar pelo adversário aos 29 minutos, num jogo até ali amplamente dominado pelo Brasil. Fosse um adversário melhor, poderia ter se valido do nosso descontrole e ampliado o placar, o que deixaria as coisas muito mais complicadas. Ainda bem que a Canarinho voltou irresistível no segundo tempo. Bruno Guimarães, Rayan e Vini Jr. estavam a fim de jogo e carregaram o grand piano até a virada com o gol salvador de Gabriel Martinelli — um passe milimétrico de Guimarães.

Sofremos um gol muito parecido com aquele da Bélgica que nos tirou da Copa 2018, inclusive pelas presenças de Alisson e Casemiro na jogada. Aliás, nosso volante tem sido mais um brucutu perdido em campo do que um guardião da zaga. Ele parece já não ter qualquer condição física de acompanhar o ritmo dos jogos de alto desempenho e termina tomando cartões bobos, sempre gerando situações de apreensão de ficarmos com um jogador a menos por expulsão. Sem contar os passes horrorosos nos colocando em risco. E ainda deu de esbarrar em outros amarelinhos de forma enlouquecida — Paquetá e Douglas Santos foram as vítimas. Terminou pulando de vilão a herói marcando o gol de empate e quase fazendo mais um. Como parecia outra pessoa no segundo tempo, deve ter levado um belo puxão de orelhas de Carlo Ancelotti no intervalo. No finzinho, sentiu cãibras e ficou no gramado sendo atendido, coisa de amador. Já tem estrada suficiente para sair logo, apoiado por algum colega, para agilizar a substituição e não provocar aquele enorme acréscimo dentro dos acréscimos, que quase nos matou de agonia porque o jogo não acabava.

Paquetá sofreu lesão grave e dificilmente voltará a jogar na Copa. Enquanto esteve em campo foi o mesmo jogador irregular, sem qualquer entrosamento com Vinícius Jr. E ainda tem pacheco na mídia falando do tempo em que jogaram juntos no Flamengo, dando a exata medida das baboseiras que esses caras não param de produzir diante de um microfone.

Muitas dessas baboseiras também passam por Neymar. Beira o insuportável ouvir gente especializada ou caronas da mídia como Zé Elias, Zinho e Fábio Luciano insistindo com os possíveis milagres que ele poderia fazer em campo. Sim, milagres porque no mundo real essa reza não parece forte.

Carlo Ancelotti começa a mostrar seu diferencial comandando o time e vai se revelando um tremendo estrategista, alheio a qualquer tipo de pressão externa. Sabiamente, não ouviu a pachecada que pedia Neymar, sabia que se viesse prorrogação teria criado um grande problema, ficaria com um jogador a menos em campo por deficiência física.

O próximo jogo será contra a Noruega, país que vive um bom momento do seu futebol e cuja torcida tem dado show com suas manifestações culturais, como aquela que imita remadores viquingues gritando “ruuu” — depois da vitória contra Costa do Marfim o time e a comissão técnica sentaram no gramado, e o capitão Martin Ødegaard recebeu um tambor da torcida para comandar o ritmo do ritual que simboliza uma tripulação remando junto para avançar mais longe e conquistar qualquer objetivo.

Já estamos em alerta, não por isso. Na verdade, jogamos quatro vezes contra os noruegueses: perdemos duas e empatamos as outras. E desta vez eles têm um fator a mais de preocupação, um certo Erling Braut Haaland. Um sujeito maroto que bem poderia incluir “gol” no sobrenome já tratou de dizer que a Noruega tem “pequenas possibilidades” de eliminar o Brasil nas oitavas de final. Jogou o favoritismo para a Seleção Brasileira de forma clara: “Vai ser difícil avançar. Não vai ser fácil, não sei se vamos conseguir”. Tomara que esteja certo e não tenha um domingo inspirado na área brasileira.

Oxalá nossa primeira vitória contra os homens do frio seja exatamente no domingo, pelas oitavas desta Copa. E que o próximo “ruuu” seja para ditar o ritmo do barco que levará os viquingues de volta para casa.

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